Volta e meia deparo-me com escritos sobre amamentação em revistas, blogues, facebook, etc. Deparo-me com afirmações de mães como: "foi um alívio deixar de amamentar", "amamentar foi uma tortura", "se tiver outro filho não vou dar mama", "quando o meu leite secou foi uma alegria", "o meu filho nunca mamou e é saudável", "o mais importante para o bebé não é a mama, é a mãe estar bem" etc., etc. E todas estas afirmações são merecedoras de aplausos, como se o esforço para amamentar não valesse a pena ou fosse mesmo visto como uma obcessão, desvalorizando-o.
A verdade é que amamentar não é fácil para muitas mães, exige sacrifícios, causa dores. Mas não é o fim do mundo e com preserverança tudo é possível. Não estou a dizer que se deva insistir a todo o custo até dar em maluca, por exemplo, o que estou a dizer é que por vezes a realidade não corresponde às expectativas que tínhamos e temos de nos esforçar mais para conseguirmos o que queríamos, porque o que tenho aprendido ao longo da minha ainda curta existência é que com esforço tudo se consegue.
No meu caso pessoal não amamentei o Minúsculo mais tempo porque não me esforcei o suficiente, porque não soube escutar bons conselhos e dei ouvidos a vozes que me diziam que o biberão também era muito bom. No imediato, sim, foi muito bom, foi um alívio para mim e óptimo para ele ter uma mãe mais bem disposta. Mas hoje em dia olho para trás e nunca vou deixar de sentir que lhe devo isso, ele merecia que me tivesse esforçado mais para conseguir. Não foi de todo uma decisão informada. No caso da Minúscula não me permiti cair na mesma asneira, informei-me, mentalizei-me que a ía amamentar mesmo antes de a "fazer". E com esforço, dores, sacrifício consegui. Consigo, aliás, mas já sem incómodos claro, que esses duraram apenas cerca de duas semanas.
Eu não pretendo criticar ninguém, nem quem deixa de dar mama cedo, nem quem a dá até tarde. São decisões e como tudo na vida são responsabilidade de quem as toma, mas acima de tudo, deviam ser decisões informadas. E talvez as pessoas devessem estar mais conscientes de que, querendo, é possivel ultrapassar as dificuldades, ter mais um pouco de espírito de sacrifício e de que é preciso esforçarmo-nos para conseguirmos aquilo que queremos. Porque a recompensa, que é a satisfação de atingirmos os nossos objectivos e de dar o melhor aos nossos bebés, essa não tem preço.
