sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Identificar-me com algo é...

 
"Concluí que o que nos faz ficar tão magoadas com o facto de os nossos pais não entenderem, criticarem, contestarem a forma como criamos os nossos filhos, é mais do que insegurança, é mais do que medo de estar a fazer mal, é mais do que necessidade de ter a sua aprovação. Claro que é isso tudo mas também é o facto de termos que nos confrontar com a constatação (ok, talvez seja inconsciente) de que a nossa infância não pode ter sido tão boa como nós imaginávamos ou ou ainda pior do que imaginavamos.

Talvez quem se sente magoada agora seja a menina que outrora fomos, a que não mamou o suficiente, que não dormiu com os pais, que não teve colo o suficiente, que não chorava quando a mãe virava costas, que ouviu muitos nãos sem sentido, que cresceu entre limites e regras arbitrárias, que levou algumas ou muitas palmadas, que conheceu bem o sistema de castigos e recompensas, que comeu sempre tudo até ao fim para ter direito a gelado, que aprendeu a ser uma boa menina para merecer amor e mesmo assim, sentia que não o merecia...

Que essa mãe, tenha agora a presença de alma para não justificar a utilização dos mesmos meios com os seus filhos e que, a filha que ainda somos, saiba perdoar os pais e ama-los por terem feito, e continuarem a fazer, o melhor que sabem.
Só assim nos curaremos, curaremos os nossos pais, criaremos futuros pais e mais felizes."

Pela autora de Want a Miracle